sábado, 2 de janeiro de 2010

Um hino ao pássaro

Esse “pardal” certamente foi o dono do canto mais lindo da França. Quando me apresentaram Edith Piaf, meus ouvidos não faziam ideia da grandiosidade musical que estavam ouvindo. Hoje, me arrepio toda vez que a ouço: a menina que passou parte da infância cega, que cresceu num prostíbulo, e que se tornou uma das mais importantes vozes francesas; emocionando multidões, arrancando com suas músicas lágrimas daqueles que jamais choram e, principalmente, embalando amores até os dias de hoje.


Ela, assim como tantas mulheres, pecou por amar demais – entendam esse “demais” não como “quantidade”, mas sim como “intensidade”. Por isso, a presença de temas amorosos é frequente na maioria das suas canções, que abordam o amor em suas diversas nuances. Aqui no Brasil, o estilo musical de Dalva de Oliveira e Maysa Matarazzo se assemelham muito ao da francesa – Dalva me lembra Edith tanto no vocal como na aparência física.


E como não poderia ser diferente, o primeiro sucesso de Edith, datado de 1946, foi a belíssima La Vie en Rose, que fala justamente sobre o que escrevi na postagem anterior desse blog: o poder de renovação do amor, capaz de tornar a vida cor-de-rosa.


La Vie en rose


Quem não conhece Edith certamente já ouviu o seu “hino ao amor”, que ganhou interpretações da brasileira Maysa Matarazzo – que sempre declarou ser fã da francesa. Mas talvez o que você não saiba é que Hymne à l'amour foi escrita em 1949, após a morte de Marcel, o grande amor de Edith – aliás, o título da música foi destinado ao filme de cunho biográfico, lançado em 2007, intitulado como “Piaf - Um Hino ao Amor”.Voltando a Marcel: o boxeador representou para Edith duas faces da sua vida: o renascimento e a morte. E o sofrimento de Edith pode ser compreendido em cada verso da música, que para mim é a mais triste da cantora.


Hymne à l'amour


O último grande sucesso de Edith falava de perseverança e, principalmente, representou em sua vida o recomeço. Non, je ne regrette rien, foi lançada em 1960, três anos antes da morte de Edith, que na época estava doente, muito debilitada pelo uso excessivo de álcool, mas principalmente pela dependência de morfina (creio que ela tinha câncer, mas não tenho certeza). Todos achavam que ela não cantaria mais, mas Edith reapareceu, doente, fraca, mas com força suficiente para gritar a todos os seguintes versos: “Non... rien de rien... Non... je ne regrette rien! Ni le bien qu'on ma fait, ni le mal - tout ça m'est bien égal!”


Non, je ne regrette rien


Quer saber mais sobre ela? Ah, basta saber que ela nasceu no dia 19 de dezembro, e, como eu não me canso de dizer, somente divas nascem nesta data!

Um comentário:

Nely L. disse...

Só a conheci através do filme... e foi uma grata surpresa!